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Perícia do INSS atrasada: o que fazer para não perder o benefício por incapacidade?

30 de set.
5 min de leitura

Mulher com documentos em uma sala de espera, ilustrando o atraso na perícia do INSS e a preocupação com o benefício por incapacidade.

Se a perícia do INSS ultrapassar 45 dias após o agendamento (ou 90 dias em regiões com poucos peritos), o segurado pode cobrar o cumprimento do prazo pelos canais administrativos e, se necessário, buscar a manutenção ou concessão do benefício por via judicial. Desde 2026, o Novo Atestmed também permite resolver boa parte dos pedidos de auxílio por incapacidade temporária por análise documental, sem perícia presencial.


O INSS enfrenta filas relevantes para a realização de perícias médicas, e quem está afastado do trabalho por doença ou lesão sente esse atraso de forma direta: sem a perícia, o benefício não é implantado, e a pessoa fica sem renda enquanto aguarda.


Este artigo explica qual é o prazo legal para a perícia médica do INSS, como funciona o Novo Atestmed em 2026 e o que fazer, passo a passo, quando o prazo é ultrapassado.


Qual é o prazo legal para a perícia médica do INSS

O tema foi tratado no Recurso Extraordinário nº 1.171.152 (Tema 1066 de repercussão geral do STF), no qual foi homologado acordo entre o Ministério Público Federal e o INSS sobre prazos de análise de benefícios.


Pelo acordo, as análises administrativas em geral não devem ultrapassar 90 dias. Para a perícia médica especificamente, o prazo é de até 45 dias contados do agendamento em unidades com peritos suficientes, podendo chegar a 90 dias em regiões de difícil provimento de servidores. O acordo também prevê uma Central Unificada de Cumprimento Emergencial de Prazos, responsável por analisar em até 10 dias os requerimentos que já ultrapassaram o prazo devido.


Quando o prazo não é observado, a diretriz é que o benefício seja concedido ou mantido até que o segurado seja efetivamente submetido à perícia médica.


Ficou com dúvida sobre como isso se aplica ao seu caso?



O que é o Atestmed e como ele pode evitar a demora

O Atestmed é o sistema do INSS que permite avaliar o pedido de auxílio por incapacidade temporária a partir de atestado e documentos médicos anexados no aplicativo ou site Meu INSS, sem exigir perícia presencial em boa parte dos casos. Um perito médico federal analisa a documentação e emite parecer técnico, podendo inclusive reconhecer a natureza acidentária do afastamento quando cabível.


Desde 24 de março de 2026, o Novo Atestmed ampliou o período máximo de afastamento reconhecido por essa via de 60 para até 90 dias. Segundo o INSS, a medida deve permitir que mais de 500 mil segurados por ano tenham o pedido resolvido sem perícia presencial, reduzindo tanto o tempo de espera quanto a necessidade de deslocamento.


Quando o atestado enviado não é suficiente para a análise documental, ou quando a perícia presencial é exigida por lei para o caso, o pedido segue para agendamento presencial, sujeito aos prazos tratados no tópico anterior.


Passo a passo: o que fazer quando a perícia atrasa

1. Verificar a data do agendamento da perícia e contar os dias corridos a partir dela.

2. Acompanhar o andamento do pedido pelo Meu INSS ou pela Central 135.

3. Se o prazo de 45 ou 90 dias, conforme a região, já tiver sido ultrapassado, registrar reclamação formal pelos canais do INSS ou pela ouvidoria.

4. Reunir documentos médicos que comprovem a incapacidade (atestados, exames, laudos) para instruir um eventual pedido de urgência.

5. Se o INSS não responder pela via administrativa, buscar orientação jurídica sobre a possibilidade de ação para implantação ou manutenção do benefício até a realização da perícia.


É possível receber o benefício mesmo sem a perícia ter sido feita?

Sim, em duas situações principais. A primeira é quando o Atestmed é suficiente para a análise documental, dispensando a perícia presencial. A segunda é quando o prazo de 45 ou 90 dias já foi ultrapassado e a via administrativa não resolveu: nesse caso, é possível buscar a manutenção ou concessão do benefício por decisão judicial, com base no acordo homologado no RE 1.171.152.


Nenhuma dessas hipóteses é automática em todos os casos: cada pedido depende da documentação apresentada e das circunstâncias específicas, por isso a análise deve ser feita individualmente.


O que acontece se eu faltar à perícia agendada

A remarcação é permitida uma única vez, em até 7 dias após a data originalmente agendada. Quem falta sem justificativa, não comparece e não remarca, ou cancela o requerimento, fica impedido de pedir o mesmo benefício novamente por 30 dias.


Documentos que ajudam a agilizar a análise

• Atestado médico legível, com CID, data, tempo estimado de repouso, assinatura e carimbo do profissional.

• Exames complementares e laudos que comprovem a incapacidade alegada.

• Histórico de tratamento e, quando houver, relatórios de acompanhamento médico contínuo.

• Comprovantes de vínculo e de contribuições, para confirmar a qualidade de segurado e a carência.


Exemplo prático

Exemplo hipotético: João, segurado do INSS afastado por uma lesão no ombro, teve a perícia agendada para 60 dias após o pedido, prazo superior ao previsto. Ao consultar o Meu INSS, percebe que o limite já foi ultrapassado, registra reclamação formal e, orientado por profissional, reúne laudos médicos para instruir um pedido de urgência.


Este exemplo é ilustrativo e não garante que outras pessoas terão o mesmo resultado. Cada caso depende da documentação e do histórico específico e deve ser analisado separadamente.


Se a sua situação se parece com a do exemplo, uma conversa inicial pode ajudar a entender o caminho mais adequado:



Perguntas frequentes:

  1. Qual é o prazo máximo para o INSS realizar a perícia médica?

Em regra, 45 dias após o agendamento em unidades com peritos suficientes, podendo chegar a 90 dias em regiões de difícil provimento, conforme o acordo homologado pelo STF no RE 1.171.152 (Tema 1066).


  1. O que é o Atestmed?

É o sistema do INSS que permite avaliar o pedido de auxílio por incapacidade temporária a partir de atestado e documentos médicos anexados no Meu INSS, sem exigir perícia presencial em boa parte dos casos.


  1. O Novo Atestmed mudou algo em 2026?

Sim. Desde março de 2026, o prazo máximo de afastamento reconhecido por essa via aumentou de 60 para até 90 dias, e o sistema passou a permitir o reconhecimento de natureza acidentária em determinadas situações.


  1. Se a perícia atrasar, o benefício é pago automaticamente?

Não em todos os casos. O segurado deve cobrar o cumprimento do prazo pelos canais administrativos e, se necessário, buscar orientação jurídica sobre a implantação ou manutenção do benefício por via judicial.


  1. O que fazer se eu perder a data da perícia?

É possível remarcar uma única vez, em até 7 dias após a data agendada. Faltar sem justificativa ou sem remarcar impede novo requerimento pelo mesmo motivo por 30 dias.


  1. Quais documentos aumentam a chance de uma decisão mais rápida?

Atestado legível com CID, tempo estimado de afastamento, assinatura e carimbo do médico, além de exames e laudos que comprovem a incapacidade.


  1. Vale a pena entrar com ação judicial pela demora da perícia?

Depende do tempo de atraso, da gravidade da situação e das tentativas administrativas já feitas. Uma análise individual do caso ajuda a definir se a via judicial é necessária.


Conclusão

A perícia do INSS atrasada não precisa significar meses sem renda. Existe um prazo legal a ser cobrado, um mecanismo de urgência para casos já vencidos e, desde 2026, o Novo Atestmed amplia as chances de o pedido ser resolvido sem perícia presencial.


O caminho mais eficaz depende da documentação reunida, do tempo de atraso já acumulado e das tentativas administrativas já feitas. Por isso, acompanhar o processo e organizar os documentos médicos desde o início faz diferença no resultado.


Se o seu pedido de benefício por incapacidade está parado aguardando perícia há mais tempo do que o previsto, uma análise do seu caso pode ajudar a identificar os próximos passos mais adequados à sua situação.


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Victória Lopes Assessoria e Consultoria Jurídica é um escritório de assessoria jurídica 360º, com atuação integrada na proteção de pessoas físicas e empresas, do CPF ao CNPJ. Com sede em São José dos Campos/SP, oferece atendimento online em todo o Brasil e também a brasileiros residentes no exterior, com atuação nacional e internacional conforme as necessidades de cada caso.


Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo e não substitui a análise jurídica individualizada do caso concreto.

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